terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Desvalorização cambial e crise do encilhamento - Governo Deodoro da Fonseca

Produtores de café e a desvalorização cambial:

As últimas décadas do século XIX viram o início da decadência da economia cafeeira no Brasil, que, apesar de ter perdido força ao longo do período, deixou de ser o principal foco das atividades ecoômicas no Brasil, de sorte que hoje a mesma cultura concorre com outros grandes produtores de café, tanto na Ásia quanto nos continentes americano e africano. A desvalorização cambial registrada na economia brasileira nos anos que antecederam o início do século XX teve como razão, entre outras, o interesse dos cafeicultores em exportar o grão a custos mais baixos. Este empreendimento levou o Brasil a se tornar o maior produtor de café da época, respondendo por três quartos da exportação mundial do gênero. 

A desvalorização também sofreu forte imfluência das políticas de emissão de moeda (e facilitação de emissão desta) pelo governo brasileiro. Também do interesse dos produtores de café para sustentação da produção, a expansão monetária desregrada e grande facilitação do crédito foram dois fatores que se somaram ao ciclo vicioso da desvalorização cambial, como apontado na breve discussão no fim deste resumo. 

O ciclo vicioso: 

Os fatores que colaboraram diretamente para o ciclo da desvalorização cambial foram, conforme exposição realizada em aula: o aumento nas exportações de café, a queda no preço internacional do produto – consequência direta dos aumentos de exportação -, a queda da receita das exportações de café – decorrente, como é de se esperar, da queda do preço do gênero -, a pressão para desvalorização cabial realizada pelos produtores brasileiros – feita precisamente para compensar a queda das receitas de exportação – e o aumento da receita interna das exportações de café, que naturalmente provome o aumento das exportações do produto. Ou seja, no "fim" do ciclo, a queda no valor da moeda torna a produção do café economicamente atrativa para os latifundiários através do aumento das receitas, o que "reinicia" todo o processo. 

O fenômeno que levou à importante desvalorização cambial registrada na economia brasileira pode ser representado através do seguinte esquema:




Encilhamento, crise, crédito e produtores de café:

 Sobre os interesses dos produtores de café na desvalorização da moeda, conforme o site do Sindicato da Indústria de Café de Minas Gerais, a redução do valor da moeda foi usada desde a os tempos do imério para servir aos propósitos da burguesia cafeeira. Este processo de queda no valor da moeda brasileira ficou conhecido como 'socialização das perdas'" (disponível em http://sindicafe-mg.com.br/plus/modulos/conteudo/?tac=historia-do-cafe ). 

A desvalorização cambial, que geraria a crise identificada na economia brasileira no fim do século XIX, favorecia a exportação de café, por tornar o produto brasileiro mais competitivo nos mercados internacionais. Ainda que a produção fosse expressiva e ainda que o Brasil já ocupasse uma posição importante entre os players, o processo tinha limitações naturais, dada a natureza auto-destrutiva da estratégia de desvalorização cambial – uma vez que as exportações sejam facilitadas e a oferta internacional do produto aumente, os lucros tendem, naturalmente, à queda. 

Ao mesmo tempo, o aumento da emissão de moeda (e mesmo a facilitação da emissão de moeda por instituições financeiras privadas), foi um dos fatores que mais influenciaram o processo. Também do interesse dos produtores de café, a facilitação da emissão de moeda e crédito permitiu uma sustentação temporária do ciclo vicioso. Esta estratégia de expansão monetária foi chamada até mesmo de "salvação da lavoura". 

Conforme o site Revista de História.com.br, foi utilizada a expansão de crédito, amplamente, para servir aos propósitos dos cafeicultores. O projeto foi levado a cabo pelo decreto de 17 de janeiro de 1890, e permitiu a expansão monetária através da emissão de dinheiro com apólices da dívida pública. As instituições financeiras formavam fundos de 10% em cima de seus lucros, e através dessa arrecadação, podiam amortizar a dívida pública. Houve protestos contra os privilégios dos bancos que emitiam o papel-moeda, mas a emissão descontrolada continuou a acontecer, desencadeando a maior crise econômica da primeira república.

Este conjunto de fatores (bem como outros não discutidos aqui) contribuiu para a chamada "crise do encilhamento", que talvez tenha sido a mais importante crise econômica pela qual o Brasil passou nos primeiros anos da república.

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